Há trajetórias que começam com uma escolha. A minha começou muito antes de eu ter idade para escolher qualquer coisa.
Eu tinha seis anos quando toquei os pés de alguém pela primeira vez, sem saber o que estava fazendo. Minha mãe dizia que eu tinha "mãos sagradas" — que conseguiam aliviar a dor de quem eu tocava.
Eu cuidava dela, da minha avó, do meu tio. Não havia técnica. Não havia consciência do que aquilo significava. Havia apenas uma criança cuidando de quem amava.
O primeiro deserto que atravessei foi dentro de um livro.
Ainda aos dez anos, comecei a estudar o Bhagavad Gita. São hoje quase 36 anos de estudo — e ainda estudo. Mas minha busca nunca foi sobre encontrar uma religião e defendê-la. Foi sobre ouvir. Aprender. Compreender diferentes caminhos, sem pressa de escolher apenas um.
Entre os 11 e os 12 anos, comecei a meditar. Buscava entender uma sensação antiga de dor e distância — de algo que parecia estar separado de mim. Hoje entendo de outra forma: não era separação da Fonte. Era desequilíbrio. Era percepção ainda em formação. Uma criança tentando entender o que sentia, com as ferramentas que tinha.
Aos 18 anos comecei a estudar terapias — não para virar profissão, mas como caminho de autodesenvolvimento. Reiki, cristais, os primeiros passos.
Depois me mudei para Águas de São Pedro. Foi lá, por volta dos 24 anos, que comecei de fato a cuidar de pessoas. Ainda não era trabalho. Ainda era chamado.
Sou formado em Hotelaria. Quando voltei para São Paulo, tive que tomar uma decisão real: seguir o caminho corporativo, ou dedicar minha vida ao trabalho terapêutico e espiritual.
Escolhi o segundo. Foi ali que começou uma fase intensa — quase 28 anos de estudo contínuo, a maior parte dedicada à área terapêutica.
Nenhuma dessas formações aconteceu isoladamente. Cada uma foi um passo em uma mesma direção.
Meu aprendizado veio dos livros. Veio da prática. Veio dos mestres. Veio do silêncio. Veio dos encontros.
Ao longo dessas décadas, encontrei referência e inspiração em diferentes tradições — Jesus, Maria, Kuan Yin, Buda, o Senhor Vishnu, Ogum, Iansã, os Mestres Atlantes, os Anjos Essênios, entre outros.
Não os cito como quem pertence a todos eles. Cito como quem aprendeu a ouvir cada um — com reverência, e sem nunca se colocar ao lado deles.
Meu aprendizado não aconteceu só nos livros. Também aconteceu nos meus pés — na altitude dos Andes, no silêncio dos desertos, nos 382 dias que caminhei o Caminho de Santiago. Cruzei o Atlântico de navio. Viajei pela África. Percorri 18 estados do meu próprio país.
Fui chamado pelo povo Yawalapiti, no Alto Xingu, para ajudar em um período em que estavam sem pajé. Fiquei um tempo com eles. Fui chamado, por ali, de "pajé branco".
Não conto essa história como espetáculo. Conto porque foi um dos encontros que mais me ensinou sobre confiança, sobre cuidado, sobre o que significa servir.
Depois dos 32 anos, quando encontrei Sheila, muitas dessas peregrinações passamos a fazer juntos. Outras eu segui sozinho — mas mesmo nessas, ela estava comigo, em algum lugar do coração.
Aos 32 anos, decidi profissionalizar esse trabalho. Aluguei uma pequena sala no Campo Belo, em São Paulo.
As pessoas começaram a chegar. E nunca mais pararam.
Fui um dos responsáveis por um trabalho energético no Hospital Darcy Vargas — uma ponte entre o universo terapêutico e uma atuação institucional.
Atualmente curso pós-graduação em Medicina Ayurvédica, aprofundando ainda mais uma vida inteira de estudo.
Sou praticante de Yoga. Sou maratonista aquático.
Minha vida fora do consultório segue o mesmo princípio da minha vida dentro dele: disciplina, presença, estudo contínuo.
Hoje atendo presencialmente e também à distância, reunindo diferentes abordagens terapêuticas e espirituais de acordo com a necessidade de cada pessoa — entre elas, trabalhos de desobsessão, exorcismo, batismo e práticas espirituais e terapias integrativas.
Não prometo cura. Não faço afirmações médicas. Ofereço o que aprendi ao longo de uma vida inteira de caminho: presença, cuidado e uma escuta construída em décadas de estrada.
E, no caminho, descobri que cada encontro também era parte da própria jornada.
Tudo isso não é uma coleção de acontecimentos. É uma única caminhada.
Permita-se viver uma experiência de cuidado guiada por uma vida inteira que dediquei à cura.
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